[PT] Antevisão da nova temporada da NHL: Divisão do Atlântico

A pior equipa da NHL, dois históricos à procura dos playoffs, duas formações em renovação, dois conjuntos com elevadas expectativas e um dos maiores candidatos à conquista da Stanley Cup.

Esta é a composição da Divisão do Atlântico da NHL e convidamo-lo a conhecer melhor cada uma das oito equipas que a formam, passando por um resumo do que fizeram no ano anterior, a análise das movimentações no defeso, a indicação de um jogador a seguir com toda a atenção e finalmente uma avaliação do que cada uma pode realmente valer na nova temporada.

Buffalo Sabres (BUF)

Classificação em 2013-2014: 21-51-10, 52 pontos, fora dos playoffs

Apenas quatro vitórias nos primeiros 20 jogos custaram o lugar de treinador a Ron Rolston, e não demorou muito até o GM Darcy Regier seguir-lhe os passos. Ted Nolan, que acumulou o lugar com o de selecionador da Letónia até aos Jogos Olímpicos, assumiu a posição no banco e os Sabres melhoraram, pelo menos, na atitude competitiva. Contudo, a falta de qualidade do plantel, ainda mais depois das trocas de Ryan Miller e Thomas Vanek durante a temporada, não permitiu que a equipa saísse de um destacado último lugar.

Movimentações no defeso

Principais Entradas: Matt Moulson (MIN), Brian Gionta (MTL), Josh Gorges (MTL), Andrej Meszaros (BOS)

Principais Saídas: Christian Ehrhoff (PIT), Henrik Tallinder (UFA), Ville Leino (UFA), John Scott (SJS), Cory Conacher (NYI)

O defeso dos Sabres começou com a perda da lotaria no draft da NHL, fazendo a equipa descer para a segunda posição na ordem definida. Sem grandes surpresas, os Sabres escolheram o central Sam Reinarth, que parece não estar ainda preparado para jogar na NHL. Com os olhos no topo do draft de 2015, onde os prodígios Connor McDavid e Jack Eichel estarão disponíveis, o novo GM Tim Murray preocupou-se em juntar alguns veteranos a uma formação em reconstrução. Moulson gostou tanto de Buffalo que, após uma breve passagem pelo Minnesota, resolveu voltar no primeiro dia do mercado, enquanto Gionta, o anterior capitão dos Canadiens, também procurará passar bons hábitos aos jovens dos Sabres. Na defesa, Gorges, que rejeitou sair de Montreal para Toronto, acabou por aterrar em Buffalo, tal como Meszaros. O melhor jogador da equipa, Ehrhoff, viu o seu contrato ser terminado e mudou-se para Pittsburgh, enquanto o fim da desapontante passagem de Leino por Buffalo era inevitável.

Principais Jogadores: Cody Hodgson, Chris Stewart, Matt Moulson, Brian Gionta (Capitão), Josh Gorges, Tyler Myers

Jogador a seguir: Chris Stewart. Parecem cada vez mais distantes os tempos em que Stewart era apontado como um dos mais promissores projetos de powerforward  da NHL. O possante avançado marcou 28 golos pelos Avalanche em 2009-2010, mas na época seguinte foi trocado para os St. Louis Blues, onde nunca se conseguiu impor, falhando em conseguir mais de 20 golos novamente. Aos 27 anos, depois de ter sido umas das peças adquiridas pelos Sabres na troca de Ryan Miller, está na hora de Stewart se assumir como peça de destaque no meio de um ataque jovem e com necessidade de todas as contribuições significativas que conseguir. Minutos para se mostrar não faltarão, pelo que resta saber se a falta de motivação e empenho que contribuíram para o seu apagamento vão continuar a esconder o talento.

Previsão: Último lugar na fase regular. A verdadeira ambição dos Sabres é a obtenção da primeira escolha do draft e, mesmo que a NHL tenha aumentado a imprevisibilidade do processo, acabar em último lugar representa o caminho com maior probabilidade de sucesso. Os Sabres vão lutar bravamente, perder a grande maioria dos jogos, e provavelmente somar mais alguns pontos que no ano passado, sendo que no Este só mesmo uma desfalcada equipa dos Hurricanes promete fazer-lhes alguma companhia no fundo da tabela.

Florida Panthers (FLA)

Classificação em 2013-2014: 29-45-8, 66 pontos, fora dos playoffs

A época dos Panthers começou sob o signo de um novo dono e promessas de mais fundos para o GM Dale Tallon. Enquanto isso, no gelo, a inexperiência da equipa foi patente em muitos jogos, o que contribuiu para o despedimento de Kevin Dineen bem cedo e para uma época passada no fundo da tabela. A aquisição, em Março, do reputado Roberto Luongo solucionou os crónicos problemas na baliza e contribui para acelerar o familiar processo de rejuvenescimento do plantel.

Movimentações no defeso

Principais Entradas: Jussi Jokinen (PIT), Dave Bolland (TOR), Willie Mitchell (LAK), Derek MacKenzie (CBJ), Al Montoya (WIN), Shawn Thornton (BOS)

Principais Saídas: Tom Gilbert (MTL), Scott Clemmensen (NJD), Jesse Winchester (COL), Ed Jovanovski (UFA), Scott Gomez (UFA)

Os Panthers ganharam a lotaria e com isso a possibilidade de escolher primeiro no draft de 2015, tendo usado a oportunidade para selecionar o defesa Aaron Ekblad, que deve mesmo começar a temporada na NHL. Mais tarde, a abertura do mercado fez lembrar o verão de 2011, quando os Panthers pareceram assinar com todos os jogadores medianos disponíveis e chegaram aos playoffs no final da temporada. O novo treinador, Gerard Gallant, recebeu alguns jogadores muito úteis, como Jokinen, que teve uma grande época ao lado de Evgeni Malkin em Pittsburgh, e Bolland que, apesar do absurdo contrato, deve fazer um bom trabalho como central da terceira linha. Willie Mitchell, depois de ganhar a segunda Stanley Cup pelos Kings, substitui o capital de veterania e experiência deixado vago pela saída do acabado Jovanovski, e promete aconselhar os jovens Ekblad, Erik Gudbranson e Dmitri Kulikov.

Principais Jogadores: Aleksandr Barkov, Jonathan Huberdeau, Nick Bjugstad, Brian Campbell, Eric Gudbranson, Willie Mitchell (Capitão), Roberto Luongo

Jogador a seguir: Jonathan Huberdeau. A terceira escolha do draft de 2011 teve uma excelente temporada de estreia na NHL em 2012-2013, somando 31 pontos em 48 jogos e vencendo o prémio de rookie da temporada. No entanto, a segunda temporada significou um retrocesso, com a famigerada “sophomore slump” a limitar Huberdeau a apenas 9 golos marcados em 68 jogos, e uma chata concussão a atrapalhar pelo meio. Dono de uma criatividade assinalável e excelentes mãos, o ala terá uma melhor equipa ao seu lado este ano, e a perspectiva de lutar pelos playoffs deve aguçar a sua habilidade, bem como a possibilidade de alinhar ao lado de um dos possantes centrais da equipa, seja ele Barkov ou Bjugstad.

Previsão: Fora dos playoffs mas na luta até perto do fim. Suportados pela estabilidade dada por Roberto Luongo na baliza, os Panthers vão ganhar muito mais vezes nesta temporada e podem aproximar-se dos playoffs se o ataque conseguir subir de produção. Uma tarefa que cai não só nos ombros dos jovens, como também de um conjunto de experimentados jogadores como Tomas Fleischmann, Scott Upshall, Brad Boyes e Sean Bergenheim.

Roberto Luongo garante estabilidade aos jovens Florida Panthers (J Pat Carter/The Associated Press)

Toronto Maple Leafs (TOR)

Classificação em 2013-2014: 38-36-8, 84 pontos, fora dos playoffs

Como tantas vezes aconteceu na última década, os Maple Leafs começaram bem a época e foram perdendo gás ao longo do ano. Mesmo assim, no rescaldo da primeira presença nos playoffs em 7 anos, só mesmo uma série de resultados catastrófica durante o mês de Março tirou a equipa dos lugares de acesso, com a época a terminar em desânimo e os lugares de treinador e GM em risco.

Movimentações no defeso

Principais Entradas: Roman Polak (STL), Stephane Robidas (ANA), Daniel Winnik (ANA), David Booth (VAN), Mike Santorelli (VAN), Matt Fratin (CBJ), Leo Komarov (KHL)

Principais Saídas: Dave Bolland (FLA), Nikolai Kulemin (NYI), Mason Raymond (CGY), Jay McClement (CGY), Jerry D’Amigo (CBJ), Carl Gunnarson (STL), Tim Gleason (CAR)

Para lá das inúmeras mudanças na estrutura da organização que fizeram correr tinta durante o Verão, o plantel dos Leafs acolhe na nova temporada um conjunto extenso de caras novas. Se na defesa o veterano Robidas e Polak, obtido dos Blues, aumentam o poderio físico e parecem parceiros perfeitos para os jovens Jake Gardiner e Morgan Reilly, já no ataque assistiu-se a uma remodelação profunda das linhas inferiores, com a chegada de reforços baratos e subvalorizados, como Winnik, Booth e Santorelli. Quanto às saídas, destaque para os eficientes Raymond e Kulemin, que decidiram procurar outras oportunidades, e para Bolland, cujas exigências financeiras foram demasiado elevadas para uma equipa pressionada contra o teto salarial.

Principais Jogadores: Phil Kessel, James van Riemsdyk, Joffrey Lupul, Dion Phaneuf (capitão), Jonathan Bernier

Jogador a seguir: David Clarkson. A primeira temporada em Toronto do agressivo ala de 30 anos foi terrível. Depois de assinar um contrato longo e chorudo no Verão, a pressão sobre Clarkson era enorme e uma suspensão logo na pré-temporada nada fez para a diminuir. No final, 5 golos e 60 jogos depois, não faltaram vozes a pedir a dispensa de um avançado que ocupa demasiado espaço salarial para o que produz. Mesmo que não se espere que Clarkson repita os 30 golos que chegou a marcar pelos Devils, é necessário que seja capaz de jogar com os craques da equipa e contribuir bastante mais. Uma verdadeira oportunidade na segunda linha ao lado de Kadri e Lupul pode ser tudo o que precisa para se redimir.

Previsão: Fora dos playoffs. Os Leafs vão estar novamente na luta e o reforço da profundidade ofensiva pode ajudar a manter uma estabilidade de resultados e exibições que não existiu no ano passado. No entanto, a formação continua a ser liderada por um Randy Carlyle que não parece perceber quais os reais problemas da equipa e, desta forma, torna-se complicado acreditar numa evolução condizente com um resultado final diferente.

Ottawa Senators (OTT)

Classificação em 2013-2014: 37-31-14, 88 pontos, fora dos playoffs

Uma surpreendente campanha até aos playoffs em 2012-13, e a chegada do talentoso Bobby Ryan, colocaram as expectativas relativamente à época dos Senators lá bem em cima, mas o que se seguiu foi um ano dececionante. De facto, Craig Anderson desceu à terra depois de um ano inacreditável, os jovens não melhoraram tanto como o esperado, e a defesa sofreu baixas importantes ao longo do ano, com o resultado somado de tudo isto a ser uma eliminação precoce.

Movimentações no defeso

Principais Entradas: Alex Chiasson (DAL), David Legwand (DET)

Principais Saídas: Jason Spezza (DAL), Ales Hemsky (DAL), Joe Corvo (UFA)

Um ano depois do amado Daniel Alfredsson ter dito adeus a Ottawa, o central Jason Spezza seguiu o mesmo caminho, pedindo para ser trocado e vendo o seu desejo ser concedido. A principal peça recebida pelo capitão foi o ala Chiasson, que apesar de ser um jovem de qualidade não parece ter potencial de estrela. A chegada de Legwand compensa parcialmente a saída de Spezza, com Kyle Turris a assumir o lugar de principal central, e o sueco Mika Zibanejad a lutar com o novo reforço pelo lugar na segunda linha. Hemsky foi adquirido em Março no dia limite de trocas, entendeu-se bem com Spezza, ficou livre e optou por seguir o central até ao Texas.

Principais Jogadores: Kyle Turris, Clarke MacArthur, Bobby Ryan, Erik Karlsson (capitão), Marc Methot

Jogador a seguir: Cody Ceci. O trabalho de levar os Senators para o ataque cai quase sempre nos ombros do sensacional Erik Karlsson, mas o sueco não pode fazer tudo sozinho. Uma vez que o resto da defesa não tem grande mobilidade e capacidade de passe, o jovem Cody Ceci, de apenas 20 anos, foi chamado em 49 partidas na temporada passada e impressionou. Na nova época, a sua patinagem e poderoso remate prometem fazer ainda mais estragos, principalmente se o defesa conseguir um lugar no primeiro powerplay dos Senators.

Previsão: Fora dos playoffs. Os Senators perderam o seu principal avançado e ficaram ainda mais desfalcados na disputa pelos lugares de acesso aos playoffs. Sem grande profundidade atacante, o trio MacArthur-Turris-Ryan terá que assumir ainda mais responsabilidade, e os adversários podem concentrar-se em anular a perigosa linha principal e Karlsson. Tudo se conjuga para mais uma temporada difícil na capital do Canadá.

A dinâmica de Kyle Turris e Clarke MacArthur é essencial para o sucesso dos Senators (Adrian Wyld/Canadian Press)

Detroit Red Wings (DET)

Classificação em 2013-2014: 39-28-15, 93 pontos, eliminados na primeira ronda dos playoffs

Se os Red Wings ainda estivessem na conferência Oeste, a temporada passada teria visto o fim da sua incrível série de 22 qualificações consecutivas para os playoffs. Como a transferência para o Este ocorreu no momento certo, o número subiu para 23, apesar de a equipa ter sido dizimada por lesões ao longo da temporada e obrigada a jogar com mais jovens do que os seus responsáveis quereriam.

Movimentações no defeso

Principais Entradas: nenhuma

Principais Saídas: David Legwand (OTT),Todd Bertuzzi (UFA), Jordin Tootoo (NJD), Mikael Samuelsson (Suécia), Cory Emmerton (KHL)

Ken Holland, GM da equipa, bem tentou reforçar o conjunto, principalmente na defesa, mas não teve sorte, conformando-se com a manutenção do mediano Kyle Quincey e a renovação com Danny DeKeyser, enquanto no ataque deixou sair um conjunto de veteranos com o prazo de validade expirado. A ordem para a nova temporada é continuar a desenvolver os jovens atacantes, com Riley Sheahan, Tomas Tatar e Gustav Nyquist à cabeça, e arranjar maneira de manter as vedetas Datsyuk e Zetterberg, além da desilusão Stephen Weiss, longe do centro médico. Mesmo assim, existem ainda duas importantes questões para resolver: o melhor pontuador da equipa na época passada, Daniel Alfredsson, mantem-se indeciso quanto à continuação da carreira, e o treinador Mike Babcock, considerado o melhor da NHL, entra no último ano de contrato e ainda não acertou a renovação.

Irá Mike Babcock renovar contrato com os Detroit Red Wings?

Principais Jogadores: Pavel Datsyuk, Henrik Zetterberg (Capitão), Johan Franzen, Niklas Kronwall, Jimmy Howard

Jogador a seguir: Gustav Nyquist. Nyquist passou de revelação a certeza na última temporada, com os seus 28 golos em apenas 53 jogos a manterem os Wings na luta pelos playoffs, e a serem essenciais para o sucesso da equipa. O problema é que o sueco de 25 anos conseguiu tal sucesso baseado numa percentagem de acerto no remate extremamente elevada e certamente insustentável. Assim, levantam-se questões sobre qual o nível de regressão que espera Nyquist. O dinamismo, velocidade e instinto são indiscutíveis, mas será o sueco um goleador capaz de fazer 30 ou mais golos de forma regular, ou o patamar apropriado será o dos 20? A resposta pode ser dada já nesta temporada.

Previsão: Os quatro primeiros nomes da lista de principais jogadores da equipa já passaram todos dos 30 anos, e os seus sucessores ainda precisam de ganhar mais calo antes de serem chamados a carregar a equipa nas suas cada vez mais usuais ausências. Se na nova temporada se repetirem os problemas, nem a sagacidade de Babcock pode chegar para estender a série a 24.

(Continuar a ler em http://modalidades.com.pt/sem-categoria/antevisao-da-nova-temporada-da-nhl-divisao-do-atlantico)

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