(PT) O último terço da fase regular da NHL em sete questões

Poderão os Winnipeg Jets regressar aos playoffs nesta temporada? (THE CANADIAN PRESS/John Woods)

A temporada da NHL leva já mais de 4 meses e maioria das equipas apresenta uma média de 27-28 encontros em falta para fechar a fase regular de 2014-15, pelo que os últimos dois meses prometem uma luta acesa pelos lugares de acesso aos playoffs ainda em aberto e pelas melhores posições na linha de partida. Ao mesmo tempo, a disputa pelos prémios individuas a atribuir no final da temporada aquece, com os nomes mais consagrados em perigo de serem desalojados, bem como a acirrada disputa pelas duas primeiras escolhas no draft, com a possibilidade de arrebatar os prodígios Connor McDavid e Jack Eichel cada vez mais presente na mente dos responsáveis das equipas situadas no fundo da tabela.
Conheça a seguir a resposta às mais importantes questões em aberto na aproximação à fase decisiva da época.
Irão os campeões falhar os playoffs?
Os Los Angeles Kings, campeões em 2014 (e 2012), mantiveram a grande maioria da estrutura que tanto sucesso obteve nos últimos anos mas esse facto não impede que se encontrem em situação extremamente delicada com dois terços da temporada já disputados. Com 3 pontos de atraso em relação ao último Wild Card disponível para o acesso aos playoffs, os Kings têm acusado o cansaço acumulado após três longas campanhas na disputa da Stanley Cup, e a maioria das estrelas da equipa ainda não chegaram ao nível esperado.

O suspenso Slava Voynov tem feito falta à defesa dos LA Kings (Ric Tapia/Icon SMI)

Dean Lombardi, GM da formação, procurou sacudir o balneário ao dispensar Mike Richards, um elemento pago a peso de ouro pela produção nos já longínquos tempos em Philadelphia, mas, para já, isso não tem resultado. Os campeões sofreram baixas importantes no ataque, nomeadamente a perna fracturada que colocará Tanner Pearson de fora até ao fim da fase regular e as recorrentes ausências do artilheiro Marian Gaborik, mas não tem sido propriamente na marcação de golos que a equipa tem carecido nesta temporada em relação às anteriores (2.70 G/J, bem acima dos 2.42 do ano passado). De facto, a um powerplay de meio da tabela (19.4% em comparação com os 15% de 2013-14), tem-se juntado uma incapacidade muito preocupante para matar penalidades (78.2%), situação que coloca a equipa sobre pressão na maioria das partidas. Além disto, o sector defensivo sofreu um rude golpe no defeso com a saída do veterano Willie Mitchell, e a suspensão sem fim à vista do russo Slava Voynov (apenas seis jogos realizados), devido a um episódio de violência doméstica, tem colocado um fardo enorme nos ombros de Drew Doughty, obrigado a permanecer no gelo metade do tempo de jogo. Como Jonathan Quick, depois de um mês de Outubro fulgurante, leva mais uma fase regular bem abaixo (0.909 sv%, 2.52 GAA) do que mostra quando chegam os playoffs (0.923, 2.22), o risco de a equipa nem lutar pela defesa do título na fase final existe e é bem mais real que em anos passados, quando tremendas fases finais colocaram a equipa como um candidato silencioso partindo de lugares modestos.
Com 58 pontos arrebatados em 53 jogos, os campeões em título vão, provavelmente, ter que ganhar 19-20 das suas últimas 29 partidas para aproximarem os 100 pontos que devem ser precisos para garantir entrada na fase final. Tarefa difícil mas certamente não impossível para uma formação que somou pontos em 18 dos seus últimos 24 jogos na temporada passada.
Quantas equipas canadianas seguem em frente?
Das 7 formações situadas a norte da fronteira, apenas os Montreal Canadiens tiveram lugar nos playoffs do ano passado. A formação Quebequense, salvo uma catástrofe imprevista, estará de novo na luta pela Stanley Cup a partir de meados de Abril, mas os ávidos adeptos canadianos terão, ao que tudo indica, mais alternativas à disposição na demanda por levar a taça pela primeira vez desde 1993. Se os Ottawa Senators e os desapontantes Toronto Maple Leafs, autores de um mês de Janeiro terrível onde somaram apenas 1 vitória em 13 jogos, parecem já demasiado afastados para ainda terem uma palavra a dizer, o contingente na conferência Oeste tem boas possibilidades de ser numeroso.
No Pacífico, se tirarmos da equação uns Edmonton Oilers a sofrerem outra incompreensivelmente fraca temporada, tanto os Calgary Flames como os Vancouver Canucks situam-se bem no meio da batalha pelos Wild Card disponíveis na Conferência, tirando proveito da fraqueza demonstrada pelos LA Kings. Os renovados Canucks aproveitaram o entusiasmo da entrada de um novo treinador e estrutura directiva para começar a temporada em força e têm conseguido manter o nível, com os irmãos Sedin e o reforço Radim Vrbata a puxarem a equipa de volta à relevância. A formação de Vancouver, com um dos núcleos duros mais veteranos da NHL, tem, contudo, ainda muito trabalho pela frente para repelir os esforços dos campeões em título e dos ressurgentes Minnesota Wild e Dallas Stars.

Já a formação do estado de Alberta é uma história de sucesso ainda maior, com um plantel claramente em reconstrução a imiscuir-se na luta pela vice-liderança da Divisão Pacífico, atrás dos Anaheim Ducks. Os Flames têm seguido a chama da enorme temporada realizada pelo capitão Mark Giordano e a equipa mostra a cada partida mais entusiasmo por se encontrar nesta situação inesperada, aproveitando assim para praticar um estilo de jogo rápido, técnico e atraente, qualidades particularmente manifestadas na nova coqueluche da equipa, o virtuoso ala estreante Johnny Gaudreau.

O MTS Center, casa dos Winnipeg Jets, espera ansiosamente pela estreia nos playoffs (JOE BRYKSA / WINNIPEG FREE PRESS)

Finalmente, os Winnipeg Jets, que à entrada para a quarta temporada na cidade depois da relocação de Atlanta viam a paciência dos fiéis adeptos da equipa começar a dar sinais de minguar. Aproveitando a ascensão meteórica de um jovem guardião quase desconhecido chamado Michael Hutchinson (0.923 SV%, 2.23GAA), os Jets aproveitaram as dificuldades de alguns dos rivais de divisão que os superaram no ano passado, como os Dallas Stars, Minnesota Wild e Colorado Avalanche, e conseguiram garantir uma boa almofada de segurança para o que resta da temporada. Os seus 64 pontos (em 55 jogos) permitem acreditar no regresso dos playoffs à cidade, 18 anos depois dos antigos Jets terem deixado Winnipeg rumo a Phoenix, mas a luta vai ser intensa, precisando a equipa que a primeira linha de ataque, formada por Blake Wheeler, Brian Little, e o capitão Andrew Ladd, todos já acima dos 40 pontos, continue a fazer a diferença, e que Dustin Byfuglien (36 pontos), poderoso vagabundo defesa/avançado, seja a força disruptiva que tantas vezes tem feito mossa nos adversários.
Por alturas da mudança no calendário para 2015, os Jets sobreviveram a uma maré de azar que afastou três dos seus quatro melhores defesas (Tobi Ernstrom, Jacob Trouba e Mark Stuart) e a equipa tem que recuperar essa resiliência no que falta da temporada, uma vez que a perda de fiabilidade mostrada nas últimas semanas por Hutchinson e pelo parceiro de baliza Ondrej Pavelec, bem como a polémica em torno de Evander Kane (1) , que após problemas disciplinares foi operado ao ombro e não joga mais esta temporada, têm que ser rapidamente ultrapassadas sob risco de a equipa “morrer na praia” mais uma vez.
Pode alguma equipa do Este reentrar na corrida?
Com 73 pontos obtidos em 55 partidas, os Tampa Bay Lightning lideram a Conferência Este e distam 10 pontos do actual último colocado em lugar de acesso aos playoffs, os Boston Bruins, que somam 53 encontros disputados. A primeira equipa a olhar de fora são os Florida Panthers, com 57 pontos, e não faltam razões para acreditar que o alinhamento de qualificados no Este já não irá mudar.
Tanto os Bruins como os New York Rangers, que com 65 pontos somados, detêm, para já, o outro Wild Card da Conferência, são não só os dois últimos representantes da Conferência na final da Stanley Cup como mantêm os principais jogadores que os levaram ao sucesso, atravessando períodos de subida de forma após começos de temporada periclitantes. Já os Washington Capitals, colocados logo acima, com 66 pontos, dão mostras jogo após jogo que o sistema de Barry Trotz já está bem assimilado, e as melhorias defensivas trouxeram uma consistência que torna muito improvável uma queda abrupta de desempenho. Entre os restantes, os NY Islanders (69) e os Pittsburgh Penguins (68) têm-se revezado na liderança da Divisão Metropolitana desde o início e também estão bem longe do perigo, enquanto os rejuvenescidos Detroit Red Wings (71) e os Montreal Canadiens (69) vão desafiando a liderança dos Bolts na Divisão do Atlântico.

Os Tampa Bay Lightning lideram a Conferência Este (Photo by Scott Iskowitz/NHLI via Getty Images)

Enquanto isto, os Panthers têm vindo a experimentar dificuldades para somar vitórias numa altura em que o essencial Roberto Luongo, que carregou a equipa na primeira metade da temporada, atravessa uma fase menos fulgurante na defesa das redes. Com 54 pontos, os Philadelphia Flyers parecem ser a outra equipa ainda com algumas esperanças, mas o tempo corre contra uma formação que ainda não conseguiu estabilizar defensivamente e continua demasiado dependente da dupla Claude Giroux – Jake Voracek. Já os envelhecidos New Jersey Devils despediram o treinador Peter DeBoer logo depois do Natal e têm tentado subir na tabela aproveitando o grande momento do guardião Cory Schneider, mas a falta de potencial ofensivo torna pouco mais que uma miragem a possibilidade de recuperarem 12 pontos para os Bruins. Irremediavelmente afastados estão também os Toronto Maple Leafs (50 pontos), em queda livre após um Janeiro para esquecer, os Ottawa Senators (49), demasiado macios para estas andanças, e os Columbus Blue Jackets, que ficaram condenados devido a uma razia absurda de lesões que atacou jogadores essenciais.
Carolina Hurricanes e Arizona Coyotes, hora de reconstruir?

(Continuar a ler aqui)

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