(PT) O fim prematuro do reinado dos LA Kings, a desilusão dos Boston Bruins e o troféu perdido por John Tavares sobre a meta

 A temporada regular da NHL é uma maratona de 1230 jogos, 7 meses, milhares de golos, placagens, defesas e um sem números de pequenos momentos que decidem vencedores e vencidos. No fim, dezasseis equipas conseguem um lugar na fase decisiva, os playoffs pela disputa da Stanley Cup, e o resto vai para casa aguentar um longo período de pausa que só termina em Outubro.
Entre os derrotados não costumam estar os campeões em título nem a melhor equipa da fase regular da época anterior. Contudo, os Los Angeles Kings, vencedores da Stanley Cup em 2014, e os Boston Bruins, que conquistaram o Presidents’ Trophy em 2013-2014, não conseguiram assegurar o passaporte para os playoffs desta vez e pela primeira vez na história as duas equipas mais bem-sucedidas do ano anterior ficaram pelo caminho precocemente.
Ainda assim, a temporada regular da NHL foi bem mais do que a desilusão final de dois gigantes derrubados e, nas vésperas do começo da fase mais importante da temporada, aproveitamos para olhar para o que correu menos bem entre os 14 conjuntos que vão ter a oportunidade de testar mais cedo o estado dos campos de golfe por esse mundo fora.

Comecemos então pelos campeões agora vigentes, uma formação que manteve todo o principal esqueleto que garantiu o triunfo final tanto em 2012 como em 2014. O cansaço de três anos consecutivos a jogar até Junho pode ter contribuído para o insucesso mas não explica totalmente o desastre, uma vez que os Kings foram menos competentes que os adversários directos quando os momentos decisivos chegaram. A formação de LA foi a pior da NHL em jogos decididos no prolongamento ou shootout, vencendo apenas 3 de 18 partidas, e se tivesse ganho sequer metade teria entrado com algum conforto. Especialmente fora de casa, em que não conseguiu ganhar uma única vez após os 60 minutos em oito hipóteses, mostrando uma falta de capacidade de superação em jogos equilibrados que foi absolutamente essencial para o sucesso das últimas temporadas. Da mesma forma, ao contrário de anos anteriores em que a equipa conseguiu subir o nível no fim do ano e garantir uma das posições finais, os Kings triunfaram em 16 dos últimos 28 jogos, um saldo positivo mas bastante inferior aos seus principais adversários, os Winnipeg Jets e os Calgary Flames.

Brayden McNabb expressa o desalento dos LA Kings momentos depois de Jiri Hudler ter marcado o golo que selou a eliminação dos campeões em título (Derek Leung /Getty Images)

Quando toda a gente esperava que a equipa ligasse o interruptor e principiasse numa série de vitórias, em Março os campeões entraram e saíram dos lugares de acesso aos playoffs com uma regularidade quase diária e, chegados à última semana, somaram uma derrota fatal em Edmonton contra os débeis Oilers. Dois dias depois, actuando no reduto dos esfusiantes Calgary Flames no penúltimo encontro da fase regular, numa verdadeira partida de vida ou de morte – em tudo semelhante a tantos jogos dos playoffs do ano passado que foram ultrapassados com classe – os Kings foram descoroçoados pelo oponente e o trono perdeu o seu ocupante prematuramente.
Para trás ficou um ano com contratempos importantes, desde logo a suspensão de longa data de Slava Voynov por um incidente doméstico que colocou uma equipa apertada pelo tecto salarial em situação ainda mais delicada. A perda de Alec Martinez no período decisivo de Fevereiro/Março também foi muito importante para uma defesa já debilitada, tal como a lesão grave do avançado Tanner Pearson, que tão bem começou a temporada, mas a verdade é que, para lá de Drew Doughty, nenhum outro elemento da equipa conseguiu uma temporada de muito bom nível.
Desta forma, não foi surpresa que, após a confirmação da eliminação, tenham surgido relatos de desentendimentos entre o treinador Brent Sutter e o grupo de trabalho. Contudo, numa NHL dominada pela paridade e o equilíbrio, os Kings terminaram somente com menos cinco pontos que em 2013-2014 e exibiram o mesmo estilo de jogo e capacidade para dominar as partidas que em anos anteriores, o que demonstra que a formação de Los Angeles está longe de necessitar de uma remodelação.
De facto, as peças-chave do plantel continuam dentro dos melhores anos (Anze Kopitar tem 28 anos, Drew Doughty 26, tal como o parceiro Jake Muzzin, Jonathan Quick, 29, Jeff Carter 30) e ligeiros retoques podem ser a diferença entre o insucesso desta temporada e uma caminhada triunfante para o ano. O GM Dean Lombardi já mostrou anteriormente a sua competência a encontrar os jogadores certos para compor o plantel dentro do curto espaço de manobra permitido pelo tecto salarial e, mesmo que as saídas dos veteranos Justin Williams e Jarret Stoll pareçam quase inevitáveis, não existem dúvidas que os LA Kings serão novamente um dos maiores candidatos ao título no começo de 2015-16.
Se quanto a um rápido restabelecimento dos LA Kings não existem grandes dúvidas, os rivais San Jose Sharks prometem ser um caso bem mais complicado de prever. A formação do Norte da Califórnia falhou os playoffs após 10 presenças consecutivas e confirmou os maus sinais que um Verão de 2014 tumultuoso já antevia. Após o colapso na primeira ronda dos playoffs de 2014, os Sharks pareceram preocupar-se mais em tentar despachar as principais faces do clube nos últimos anos, os veteranos avançados Joe Thornton e Patrick Marleau, do que em melhorar o plantel e os resultados estão à vista.

Os históricos Joe Thornton (19) e Patrick Marleau podem bem ter feito as últimas partidas ao serviço dos San Jose Sharks

Com o surpreendente ressurgimento dos Vancouver Canucks e os sensacionais Calgary Flames a subirem o nível geral da divisão, faltou não só mais apoio aos principais goleadores da equipa como a defesa piorou significativamente, cotando-se como a sétima mais batida da NHL. Com os empregos do treinador Todd McLellan e do GM Doug Wilson em risco devido ao falhanço, a tão prometida renovação da equipa esteve longe dar os frutos desejados e essa foi uma das principais origens do insucesso. Basta notar que Tomas Hertl somou apenas 13 golos em 81 jogos, muito abaixo dos 15 em 37 do ano de estreia, e tanto Matt Nieto como Tommy Wingels estão longe de ter as características para se tornarem figuras principais ao nível não só de Thornton e Marleau, como mesmo de Joe Pavelski e Logan Couture, que com 70 e 67 pontos, respectivamente, lideraram a equipa em termos ofensivos.
Mais atrás, Alex Stalock também falhou o assalto à titularidade do irregular guardião Antti Niemi, e uma defesa que viu sair os experimentados Dan Boyle e Brad Stuart no defeso não foi estabilizada pela aquisição Brenden Dillon ou pelo rookie Mirco Mueller. Brent Burns, de volta à retaguarda, voltou a ser uma força em termos ofensivos (60 pontos), mas nem toda a capacidade de Marc-Edouard Vlasic podia cobrir a falhas dos companheiros de sector. A saída ou manutenção dos homens ao leme da formação de San Jose vai determinar muito do que poderão ser as expectativas para 2015-2016 mas o atraso na renovação da equipa promete anos complicados para os Sharks e um título, que em anos anteriores pareceu estar sempre ali tão perto, começa a tornar-se uma miragem a breve-prazo.
Ainda no Pacífico, enquanto os rivais do Estado de Alberta surpreendiam tudo e todos e chegavam aos playoffs com uma formação jovem e entusiasmante, os Edmonton Oilers seguiam o seu caminho de mediocridade, despedindo o treinador Dallas Eakins com pouco mais de 20 partidas disputadas e colocando Todd Nelson no comando.
A equipa falhou os playoffs pelo nono ano consecutivo mas finalmente notou-se alguma evolução nos talentos escolhidos recentemente no draft: Nail Yakupov teve uma segunda metade mais em linha com as altas expectativas após ter criado alguma química com o reforço intercalar Derek Roy, e Ryan Nugent-Hopkins (56 pontos) deixou de parecer fora de pé ante o resto dos centrais de primeira linha do Oeste, sendo que Jordan Eberle somou uns respeitáveis 63 pontos. Já na defesa, promissores elementos como Oscar Klefbom e Martin Marincin começam a tornar-se jogadores sólidos e Darnell Nurse deve estrear-se na próxima época. Contudo, as dificuldades na baliza mantiveram-se, com a parelha Ben Scrivens/Viktor Fasth a não resolver um problema de longa data, e o carrossel de guardiões deve possuir novo capítulo no Verão.

Ryan Nugent-Hopkins foi um dos destaques da temporada dos Edmonton Oilers (Andy Devlin / Edmonton Oilers Hockey Club)

No meio de tudo isto, já passam cinco anos desde que os Oilers assumiram uma remodelação profunda do plantel e a equipa não acabou mais perto dos playoffs, sendo novamente terceira… a contar do fim da tabela da NHL, e igualando os miseráveis 62 pontos de 2010. A caminho está outra escolha alta no draft e, lá para Junho, uma nova pérola deverá ser adicionada ao plantel dos Oilers, resta saber se desta vez para ser lapidada e manuseada da melhor forma.
Para lá dos Edmonton Oilers, apenas uma outra formação canadiana falhou os playoffs, o que significa que são cinco os representantes do norte da fronteira que vão lutar pela recuperação da Stanley Cup para o Canadá após 22 temporadas de insucessos. Recorde-se que há apenas um ano só os Montreal Canadiens tinham marcado presença na fase final.
Os milionários Toronto Maple Leafs são assim a outra face das esperanças fracassadas no Canadá, já que a época na maior metrópole do país foi um verdadeiro desastre. Basta ver que menos de 24 horas após do fim da fase regular nada menos que 20 membros da organização foram despedidos, incluindo todo o staff técnico, liderado pelo treinador interino Peter Horacek, e o GM Dave Nonis. O treinador que começou a temporada, Randy Carlyle, já tinha sido demitido em Janeiro mas os resultados da equipa estiveram longe de melhorar, com os Leafs a vencerem apenas 11 dos últimos 50 jogos, e 1 dos últimos 25 jogos disputados fora de casa.

(continuar a ler aqui)

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