(PT) Antevisão da Final da Stanley Cup: Tampa Bay Lightning vs Chicago Blackhawks

O início de Junho traz novamente o ponto alto da temporada da NHL: A disputa pela Stanley Cup. Um ano depois de New York e Los Angeles terem discutido o título, o ilustre representante da terceira maior urbe do Estados Unidos está de volta à discussão, enfrentando a única equipa do estado da Flórida que triunfou na competição.

Com o potencial ofensivo e talento presente em ambos os conjuntos finalistas, os adeptos da NHL podem estar em vias de assistir a uma das mais espectaculares finais dos últimos anos. Por isso, está mais que na hora de explorar em profundidade os oponentes que sonham levantar o mais icónico troféu desportivo do planeta.

Histórico das equipas

Fundados em 1926, os Chicago Blackhawks fazem parte dos “Original Six”, as seis formações que compuseram a NHL entre 1942 e 1967, altura em que a liga experimentou a primeira expansão, um processo repetido várias vezes ao longo das décadas seguintes até se chegar às 30 equipas que a compõem actualmente. Depois de conquistar a sua terceira Stanley Cup em 1961, o emblema de Chicago passou por uma travessia do deserto que se acentuou no inicio do novo milénio, com a péssima gestão do dono Bill Wirtz (que adquiriu a equipa em 1967) a determinar um afastamento entre a cidade e a sua principal equipa de hóquei, algo que se fez notar grandemente nos níveis qualitativos do plantel e na falta de interesse dos adeptos. Os Hawks chegaram inclusivamente a ser considerados pela cadeia ESPN, em 2004, como a pior “franchise” das ligas profissionais americanas. Contudo, sob a liderança de Rocky Wirtz, que assumiu o controlo após a morte do pai em 2007, o rejuvenescimento foi estonteante, tendo culminado no fim da maior seca de títulos da NHL, em 2010, com os Hawks a superarem os Philadelphia Flyers na final. O sucesso repetiu-se em 2013, desta vez batendo os Boston Bruins na disputa pela Stanley Cup.

A formação de Chicago parte para a final deste ano à procura de garantir a sexta Stanley Cup da sua história e a terceira em apenas seis anos. Um feito que a acontecer, numa NHL crescentemente equilibrada devido à presença do tecto salarial instituído em 2005, fará destes Hawks uma espécie de dinastia numa era nada afecta a este tipo de ambições.

Em 2004, Dave Andreychuk levantou a única Stanley Cup que os Tampa Bay Lightning têm no currículo

Os Tampa Bay Lightning, por outro lado, são uma equipa bem mais recente, tendo sido estabelecidos em 1992, na cidade de Tampa, Flórida, a segunda área metropolitana mais populosa do estado, depois de Miami. Popularmente apelidados de Bolts, devido ao trovão que é a imagem de marca da franchise, os Lightning fizeram parte da grande vaga expansionista da NHL para os estados mais a Sul dos Estados Unidos e já conseguiram assegurar o mais desejado troféu numa ocasião anterior, em 2004, quando bateram os Calgary Flames na final após 7 encontros. Os avançados Vincent Lecavalier, Martin St. Louis e Brad Richards foram os maiores obreiros dessa conquista, mas hoje a equipa tem uma nova fornada pronta para juntar os seus nomes à história.

Percurso até à final:

Depois de eliminarem os Detroit Red Wings após sete partidas na primeira ronda, os Tampa Bay Lightning conseguiram uma confortável vantagem de três jogos sobre os Montreal Canadiens na final de Divisão, vencendo os dois primeiros embates disputados em Montreal para tomarem o controlo da série. Contudo, uma copiosa derrota no jogo 4, em casa, impediu o fecho do confronto no número mínimo de encontros, e os Canadiens conseguiram mesmo estender a série vencendo o jogo 5, de volta ao Canadá. Uma vitória por 4-1 dos Bolts no jogo 6 selou a primeira final de Conferência da equipa desde 2011, e o adversário seriam os New York Rangers, finalistas da Stanley Cup no ano passado.
As duas formações trocaram vitórias nos seis primeiros encontros, incluindo vários resultados desnivelados para ambos os lados, como o triunfo dos Bolts por 6-2 no jogo 2, e as derrotas por 5-1 e 7-3, nos jogos 4 e 6 disputados na Flórida. Na partida decisiva, perante a plateia do Madison Square Garden, foram mais fortes os visitantes, que fizeram história ao imporem a primeira derrota caseira aos Rangers em jogos 7. O marcador de 2-0 repetiu o resultado do jogo 5, realizado no mesmo ambiente, e a equipa da Flórida garantiu o acesso à derradeira série dos playoffs mais de uma década passada sobre a última vez.

Do outro lado, os Chicago Blackhawks, após superarem os Nashville Predators na ronda inaugural, tiveram que se haver, pelo terceiro ano consecutivo, com os Minnesota Wild, superando, mais uma vez, os rivais de divisão. Desta vez, bastaram apenas quatro partidas, apesar de três dos encontros da série terem sido decididos por uma diferença mínima, com a experiência dos Hawks a fazer a diferença nos momentos de maior equilíbrio. De seguida, na quinta presença na final de Conferência em sete temporadas, a formação de Chicago enfrentou os Anaheim Ducks, conjunto que sucedeu aos também californianos LA Kings, carrascos dos Hawks em 2014. A história podia repetir-se, com a série a ir novamente a jogo 7, mas os Ducks não foram capazes de aproveitar o factor casa no embate crucial, com uma exibição adulta dos visitantes a resultar numa vitória por 5-3 que determinou o regresso à final da Stanley Cup.

Treinadores:

Joel Quenneville é, aos 56 anos, um dos mais bem-sucedidos e respeitados treinadores da NHL, cumprindo a sua sétima temporada ao serviço dos Chicago Blackhawks após ter sido contratado pouco depois do início da época de 2008-2009. O canadiano, que conta já com mais de 750 vitórias na NHL (terceiro maior total de sempre), teve a sua primeira oportunidade como treinador principal na Liga em 1996, ao serviço dos St. Louis Blues, e passou ainda pelos Colorado Avalanche antes de chegar a Chicago, onde liderou a emergência de um conjunto talentoso que já lhe valeu duas Stanley Cups (2010, 2013).
Sempre envergando um inconfundível bigode, Quenneville (ou Coach Q) tem o mérito de, ao longo da carreira à frente dos Blackhawks, ter sabido criar um sistema de posse do disco que assenta que nem uma luva no considerável talento à sua disposição, sendo ainda responsável por manter no topo um plantel que foi sofrendo mudanças muito relevantes à medida que os limites do tecto salarial obrigavam a equipa a renovar-se na procura do sucesso. Considerado um dos melhores estrategas da NHL, o seu brilhantismo ficou evidente, por exemplo, na forma como desmembrou a superioridade dos Ducks na série anterior ao juntar os craques Patrick Kane e Jonathan Toews antes dos jogos 6 e 7, criando uma linha que tirou do jogo Ryan Getzlaf e Corey Perry, a principal dupla atacante adversária.

Joel Quenneville lidera os Chicago Blackhawks desde 2008 (nhl.com)

Por contraponto, John Cooper, treinador dos Tampa Bay Lightning, estás apenas na sua segunda temporada completa ao comando dos Bolts, tendo pegado na equipa no final de 2012-2013, alguns meses depois de ter levado a equipa afiliada da formação de Tampa Bay, os Norfolk Admirals, à conquista do título da AHL. Nascido em 1967, Cooper tirou o curso de direito e foi inclusive um defensor público antes de optar pela carreira de treinador de hóquei, onde tem tido uma ascensão vertiginosa. Em 2006-2007 ganhou a seu primeiro troféu e desde aí tem deixado marca por onde tem passado, podendo chegar ao pináculo da carreira com menos de uma dezena de anos atrás dos bancos.

Gerindo um plantel jovem e exuberante, o treinador dos Bolts tem feito bom uso de muitos dos jogadores que o levaram ao sucesso em 2012, instituindo um sistema ofensivo baseado na velocidade e capacidade técnica. Esta estrutura tornou a formação de Tampa Bay na equipa com melhor média de golos da NHL em 2014-2015 (fase regular), mas também permite manter o equilibro defensivo, como mostrado nos jogos 5 e 7 ante os Rangers. O estilo comunicativo e carisma são apreciados por jogadores, adeptos e jornalistas, e não é exagero dizer que Cooper, apesar da inexperiência nestas fases adiantadas dos playoffs da NHL, está já no grupo dos melhores.

Avançados:

Marian Hossa é uma das armas do ataque dos Chicago Blackhawks (Jonathan Daniel/Getty Images North America)

Jonathan Toews, capitão dos Chicago Blackhawks, leva 18 (9+9) pontos nos playoffs e marcou quatro golos nos três últimos encontros da série com os Ducks, incluindo os dois primeiros da vitória no jogo 7, secando pelo caminho o poderoso Ryan Getzlaf. Na final, o seu trabalho será semelhante, contribuindo ofensivamente e tendo a responsabilidade de conter o explosivo trio ofensivo que lidera o ataque dos Bolts. Na primeira linha, flanqueando Toews, Brandon Saad também teve papel essencial contra os Ducks, marcando três vezes nos últimos quatro jogos, e o seu poder físico e velocidade são sempre trunfos, com a dúvida a centrar-se em quem jogará do lado direito: se o mago Patrick Kane, que leva já 20 pontos alcançados nesta campanha e por lá acabou a final de Conferência, ou o eslovaco Marian Hossa, que, sem a potência de outros tempos, continua a ser um avançado tremendo em qualquer vertente do jogo.

Brad Richards, o melhor jogador dos playoffs em 2004 ao serviço dos Lightning, centra a 2ª linha de ataque dos Hawks neste ocaso da carreira, tendo a companhia de Bryan Bickell (5 mpontos), bem longe da prestação de 2014 que lhe valeu um contrato muito generoso. O impressionante poderio ofensivo dos Hawks estende-se à terceira linha, onde o goleador Patrick Sharp (12 pontos) complementa a consistência e versatilidade de Antoine Vermette, aquisição do dia limite de trocas, e o excitante talento do inexperiente Teuvo Teravainen, que ainda está a descobrir o seu lugar na NHL. O temerário Andrew Shaw (9 pontos) e Marcus Kruger só aparecem na quarta linha de ataque mas Joel Quenneville não tem receio de os usar em variadas situações, com Andrew Desjardins a fechar o grupo de ataque de uma equipa que se dá ao luxo de deixar Kris Versteeg de fora.

Os Tampa Bay Lightning não igualam o capital de experiência presente no ataque dos Hawks mas, em contrapartida, apresentam a mais impressionante linha ofensiva destes playoffs. O jovem trio composto por Tyler Johnson, Ondrej Palat e Nikita Kucherov tem direito a alcunha personalizada (“The Triplets”) e a química e entusiasmo que mostram cada vez que tocam no gelo é contagiante e letal para os adversários. O pequeno central Johnson lidera os playoffs com 12 golos e 21 pontos, e o russo Kucherov leva já nove tentos desde que encontrou as redes durante a série com os Canadiens, mas o papel de Palat é igualmente essencial, com os seus 7 golos e 15 pontos a serem complementados pelo brilhante trabalho no desempenho das tarefas defensivas que são solicitadas.

O estonteante surgimento do trio teve o efeito colateral de retirar pressão a Steven Stamkos, que teve um começo de playoffs muito complicado, sem golos na série com os Red Wings, mas que desde ai tem sido excepcional, somando 7 golos e 14 pontos nos últimos 13 encontros. O astro canadiano acordou quando ainda jogava como central, mas entretanto foi desviado para a direita da sua linha de ataque, cedendo espaço para Valtteri Filppula (3G, 11 pontos) que tem ainda a companhia de Alex Killorn (16 pontos), o marcador do tento que decidiu o jogo 7 contra os Rangers.

(Continuar a ler aqui)

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