(PT) NHL: A escuridão que nem os relâmpagos trespassam (II)

Todas as equipas que referimos na primeira parte têm cumprido (ou excedido) as expectativas, mas existem outros conjuntos que, apesar de inícios menos prometedores, possuem qualidade para fazer mossa e subir aos lugares da frente nas próximas semanas.

Para onde foram os nossos golos?

Um deles são os finalistas da Stanley Cup há apenas cinco meses, os Tampa Bay Lightning. O melhor ataque da fase regular em 2014-15 encontra-se agora numa incaracterística 25ª posição, e apesar da incerteza que grassa sobre Steven Stamkos – numa posição contratual em tudo idêntica à de Anze Kopitar -, não tem sido apenas pelo capitão (11 golos) que o disco não tem entrado. Em vez disso, a grande decepção tem sido o eclipse dos “Triplets”, o trio ofensivo que tomou a NHL de assalto no ano passado mas já foi até desmembrado por John Cooper. Ondrej Palat foi a primeira vítima, lesionando-se em inícios de Novembro, mas Nikita Kucherov (8 golos, 15 pontos) e Tyler Johnston (4 golos), que se tem debatido com problemas físicos, também têm passado ao lado dos jogos em várias ocasiões. O talento dos Tampa Bay Lightning não se manifesta igualmente no powerplay, onde ocupam um lugar no último terço da NHL, à imagem de outra equipa com dificuldades em transformar as oportunidades que queria.

Sidney Crosby (#87), capitão dos Penguins, tenta fazer entrar o disco na baliza dos Edmonton Oilers de forma muito pouco ortodoxa. Uma tarefa que tem iludido a equipa durante esta temporada. (AP Photo/Gene J. Puskar)

Os Pittsburgh Penguins de Sidney Crosby, Evgeni Malkin e agora também de Phil Kessel, três dos atacantes mais produtivos da NHL na última década, têm precisado demasiado do desempenho do guardião Marc-André Fleury para somarem triunfos, imitando os rivais NY Rangers ainda que com menos sucesso em termos de resultados. Desta forma, a incapacidade atacante tem principalmente a face de um Crosby irreconhecível em muitos momentos, com os 18 pontos obtidos em 26 partidas a fixarem estes dois meses de temporada como o pior começo de sempre daquele que para muitos é (era…) o melhor jogador do mundo. O capitão carrega ainda um desagradável +/- de -9, não muito longe do fundo da NHL, onde está colocado o melhor defesa da equipa, Kris Letang (-14).

Quanto a Kessel, leva nove tentos apontados mas não tem sido o factor diferenciador esperado, mesmo que partilhe o gelo com Malkin (25 pontos), regularmente a presença inspiradora numa formação apática, coleccionando vários momentos ofensivos de tirar o fôlego durante as ultimas semanas (vídeo em baixo). E nem a profundidade ofensiva que o GM Jim Rutherford fez por providenciar no defeso tem feito a diferença, já que Chris Kunitz, Patric Hornqvist ou David Perron ainda não passaram da dezena de pontos.

Os Penguins encontram-se actualmente fora dos lugares de acesso aos playoffs, e o mesmo acontece com os Anaheim Ducks, apontados no início da temporada como a equipa favorita a vencer a Conferência Oeste. Apenas duas vitórias averbadas na primeira dezena de encontros colocaram em risco o lugar do treinador Bruce Boudreau, mas a equipa já escalou lugares, estando actualmente a um mero ponto dos lugares de acesso mesmo que a consistência de resultados tarde em chegar. Ryan Getzlaf (18 pontos) somou apenas um ponto nas oito partidas iniciais, tal como a outra estrela da equipa, Corey Perry (10 golos), mas o duo recuperou a confiança e o mesmo parece estar a acontecer a Ryan Kesler e ao principal defesa do conjunto, Cam Fowler.

Os Ducks ocupam actualmente a 30ª e última posição em termos de golos marcados (1.93 golos por jogo) mas, com mais de dois terços de temporada para jogar, seria uma enorme desilusão que falhassem a presença nos playoffs, onde as exibições realizadas seis meses antes são absolutamente irrelevantes.

Entre um triste presente e a esperança no futuro

E finalmente chegamos ao fundo da tabela, onde a presença de uma formação tem sido especialmente estranha, atendendo a que estas profundidades normalmente estão reservadas para equipas em renovação.

Os Columbus Blue Jackets, apontador por muitos como uma das equipas que podiam fazer uma gracinha após o impressionante final de temporada em 2014-15, começaram com 8 derrotas seguidas em tempo regulamentar, o pior início de sempre na história da NHL, e isso custou o lugar ao treinador Todd Richards, substituído pelo implacável John Tortorella, campeão da Stanley Cup em 2004 com os Tampa Bay Lightning. O registo da equipa é positivo desde a mudança (11-8-1) mas ainda se encontram a oito pontos dos lugares que oferecem os Wild Cards na Conferência Este.

Sergei Bobrovsky foi um dos principais responsáveis pelo início desastroso dos Columbus Blue Jackets (Ed Mulholland – USA TODAY Sports)

Para o recorde negativo muito contribuiu o começo terrível de Sergei Bobrovsky (0.865 SV%, 3.97 GAA em Outubro), mas o guardião russo conseguiu um mês de Novembro de clara retoma (0.940 Sv%, 8 vitórias em 11 jogos), abrindo boas perspectivas de subida na tabela. Na linha ofensiva, o capitão Nick Foligno e Ryan Johansen, que fizeram furor no ano passado, têm estado mais discretos, com as maiores contribuições a serem retiradas do jovem Boone Jenner, que leva 11 golos, e de Brandon Saad, outros dos sacrificados na necessária purga do plantel campeão em Chicago, que apontou já nove tentos pela formação do Ohio.

Se a surpresa causada pelo começo negativo dos Jackets foi enorme face às expectativas criadas, muito do mesmo pode ser dito sobre os Edmonton Oilers, que pelejam mais uma vez pela lanterna vermelha da NHL. A formação do estado de Alberta, que trocou de GM e treinador durante o defeso, acumulou apenas 24 pontos, apesar de Taylor Hall pertencer ao top 10 dos melhores pontuadores, e do prometedor Leon Draisatl ter concretizado um começo impressionante após ser recuperado das ligas inferiores (20 pontos em 18 partidas). O central alemão aproveitou exemplarmente a oportunidade em aberto devido à lesão do prodígio Connor McDavid, que alcançou 12 pontos em 13 jogos no decorrer da sua muito esperada estreia na NHL, e parecia melhorar exponencialmente a cada partida disputada. A nova coqueluche da liga lesionou-se num choque contra as tabelas em partida diante dos Philadelphia Flyers a 3 de Novembro, e a fractura na clavícula deve afastá-lo pelo menos até final de Janeiro.

A lesão de Connor McDavid foi um dos momentos mais relevantes da fase regular da NHL até ao momento (Shaughn Butts / Edmonton Journal)

Ainda assim, não tem sido na vertente ofensiva que os Oilers têm quebrado, com uma das piores defesa da NHL a ter reflecção no falhanço, até ver, da aposta num dos guardiões suplentes sensação do ano passado. Cam Talbot (0.899 Sv%) não tem sido tão feliz como Martin Jones (San Jose Sharks), e por isso até já perdeu a posição para o sueco Anders Nilsson (0.922 Sv%), regressado à NHL após um ano na Rússia.

Contudo, os percalços dos Oilers não podem ser alvo de chacota pelos seus rivais de estado.

(continuar a ler aqui)

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