[PT] Antevisão da Final da Stanley Cup: Pittsburgh Penguins vs San Jose Sharks

Pela primeira vez desde 2011, quando os Boston Bruins levantaram a Stanley Cup, o troféu máximo da NHL não seguirá para Los Angeles ou Chicago. Tanto os Kings como os Blackhawks foram eliminados na primeira ronda dos playoffs, pelo que chega a hora de outros nomes serem inscritos nos 16 kg de prata e níquel que compõe a taça mais desejada.

Após oito meses de competição, apenas se mantêm na corrida dois emblemas: os Pittsburgh Penguins, Campeões da Conferência Este, que procuram a quarta Stanley Cup da sua história; e os San Jose Sharks, debutantes nesta fase mas carregando um manancial de más recordações que só podem ser completamente erradicadas em caso de sucesso absoluto.

Pelo segundo ano consecutivo, os seguidores da NHL foram brindados com um embate final entre dois conjuntos recheados de executantes sublimes e equipas que praticam estilos de jogo atractivos e similares. Assim, espera-se um hóquei disputado a alto ritmo, com as equipas a apostarem na velocidade dos seus jogadores, em rápidas transições atacantes e numa pressão asfixiante sobre o portador do disco.

O espectáculo está reservado para a próxima quinzena, pelo que está na hora de conhecer melhor dos conjuntos finalistas.

Histórico das equipas

Os Penguins ganharam as suas duas primeiras Stanley Cups em 1991 e 1992

Fundados em 1967, como parte do alargamento inicial da NHL – que passou das seis equipas originais para 12 clubes – a primeira fase de ouro da história dos Penguins teve como ponto de partida a escolha de Mario Lemieux, provavelmente o 2º melhor jogador de sempre, no draft de 1984. O portentoso central canadiano levou a formação de Pittsburgh a dois triunfos consecutivos na Final da Stanley Cup em 1991 e 1992, e provavelmente só uma carreira amaldiçoada por diversas lesões e doenças graves, incluindo um cancro, impediu que voltasse a disputar a série decisiva até à sua retirada definitiva em 2006.

Por esta altura já um novo ícone envergava o equipamento preto e dourado, com uma pontinha de sorte a permitir que Sidney Crosby, outro jogador com um talento geracional, fosse seleccionado em 2005 numa altura em que a permanência do franchise na cidade de Pittsburgh estava seriamente ameaçada. Crosby, juntamente com o russo Evgeni Malkin, lideraram a equipa à final de 2008, perdida para os Detroit Red Wings, e à conquista no ano seguinte, numa desforra perante o mesmo adversário.

Nesse dia 12 de Junho de 2009, muitos pensaram que uma dinastia estava apenas a começar, mas uma série de peripécias de vária ordem impediram a equipa de chegar ao palco mais desejado nas últimas seis temporadas, com 2013 a marcar o mais perto que isso esteve de ocorrer, quando os Penguins foram varridos na final de Conferência pelos Boston Bruins. Da equipa que triunfou em 2009 sobram apenas cinco jogadores, que procuram assim fazer contar a quinta presença da formação do estado da Pensilvânia na Final.

Em 1991, nasceu na cidade californiana de San Jose a primeira equipa da NHL situada na zona da Baia de San Francisco desde que os California Golden Seals foram movidos para Cleveland quinze anos antes. Os San Jose Sharks, ao contrário de outras formações que nos anos seguintes se juntariam a uma NHL em franca expansão (aumento de 21 para 28 formações durante os anos 90), alcançaram resultados bastante satisfatórios a breve trecho, chegando à 2ª ronda dos playoffs logo em 1993 e 1994. As expectativas subiram e o clube tornou-se num dos mais competentes da NHL nas últimas duas décadas, falhando os playoffs apenas numa ocasião entre 1997 e 2014.

As temporadas dos San Jose Sharks têm tido sempre o mesmo desfecho: com a equipa do lado errado da linha de cumprimentos (nhl.com)

Contudo, seis títulos na divisão e um President’s Trophy (troféu atribuído à equipa com mais pontos obtidos na fase regular), em 2008-09, sempre souberam a pouco para os homens vestidos em tons de verde azulado (“teal”) e preto, face aos sucessivos falhanços na fase decisiva da temporada. Mesmo garantindo os serviços de um dos melhores passadores da história da NHL, Joe Thornton, em 2005-06, o melhor que a formação que tem como casa o temido “Shark Tank” alcançou foram três presenças na final de Conferência (2004, 2010 e 2011). Entre todas as desilusões, nenhuma foi mais traumática que a derrota com os LA Kings na primeira ronda de 2014, quando lideraram a série por 3-0 e permitiram uma reviravolta história, que haveria de culminar no ano seguinte com a primeira temporada fora dos playoffs em 11 anos.

Contudo, os Sharks reergueram-se e reescrevem novamente os livros em 2015-16, chegando à primeira final da sua história precisamente quando celebram 25 anos de existência.

Percurso até à final:

À deriva e perigosamente em risco de falhar os playoffs após dois meses e meio de temporada, a época dos Pittsburgh Penguins ameaçava tornar-se mais uma hipótese desperdiçada durante os anos de ouro de Crosby e Malkin quando o GM Jim Rutherford decidiu usar a opção de recurso. O treinador Mike Johnston foi despedido, Mike Sullivan resgatado à filial, e os Penguins venceram 33 dos 47 jogos que faltavam na fase regular para alcançarem o segundo lugar na Divisão Metropolitana com 104 pontos, firmando um embate inicial com os NY Rangers.

Perante uma formação que os tinha eliminado nos dois últimos anos, os Penguins aproveitaram o embalo e trataram rapidamente de Henrik Lunqvist e companhia, empilhando golos na baliza do guardião sueco durante cinco jogos que dominaram quase na totalidade.

A ronda seguinte trouxe um oponente formidável, os rivais Washington Capitals, vencedores destacados do President’s Trophy com 120 pontos em 82 jogos. Numa série tensa e em que todas as partidas foram disputadas até ao fim, culminando em três jogos que requereram tempo extra, as duas vitórias em casa nos jogos 3 e 4 provaram-se decisivas para oferecer uma liderança de 3-1 na série. Os Capitals ainda encurtaram distâncias no jogo 5, e recuperaram de uma desvantagem de três golos no jogo 6 em Pittsburgh, mas Nick Bonino marcou o golo de ouro no prolongamento para estender a incessante busca de uma Stanley Cup por parte da formação da capital americana e do seu capitão Alex Ovechkin.

Na final de Conferência, o equilíbrio foi ainda mais acentuado, com o máximo de jogos a ser preciso para separar os Penguins dos Tampa Bay Lightning. Ambas as equipas venceram dois dos primeiros três encontros que disputaram fora de casa, com a igualdade a resultar no jogo 7, em Pittsburgh, onde um herói improvável, o rookie Bryan Rust, bisou no triunfo da formação da casa por 2-1.

Quanto aos San Jose Sharks, somaram 98 pontos na fase regular para terminarem em terceiro na Divisão do Pacífico, atrás dos rivais Anaheim Ducks e LA Kings. O formato dos playoffs determinou assim novo embate com os Kings, dois anos após o humilhante descalabro que haveria de impulsionar a formação de Los Angeles até ao título.

Aproveitando alguma arrogância dos rivais, os Sharks afastaram os fantasmas do passado ao saírem de Los Angeles com os dois primeiros jogos no bolso e, após uma repartição de triunfos em San Jose, foram ao Staples Center desferir o golpe final. Na liderança por três golos no início do 2º período, os Sharks permitiram o empate e os seus adeptos temeram nova debacle. Contudo, três golos sem resposta no período final garantiram um triunfo extremamente saboroso e a passagem à 2ª ronda.

Seguiram-se os incómodos Nashville Predators, com as equipas a vencerem todos os encontros na condição de visitados. Os Sharks estiveram muito perto de roubar o jogo 4 em Nashville mas, após mais de 50 minutos suplementares, Mike Fisher deu o triunfo aos Predators no terceiro prolongamento e empatou a série a 2. A formação de San Jose voltou a não conseguir sair por cima no jogo 6, cedendo novamente no prolongamento, mas no jogo 7, em casa, não deixou dúvidas com um resoluto 5-0.

Os St. Louis Blues, outra equipa com um longo historial de frustrações nos playoffs, ergueram a barreira final no Oeste. A igualdade a dois jogos registada após quatro encontros penalizava os Sharks, que, com excepção do jogo 4, foram sempre dominantes, mas na partida seguinte o capitão Joe Pavelski bisou para liderar a equipa ao triunfo por 6-3 em St. Louis. Com a hipótese de fazer história perante os seus adeptos, os Sharks voltaram a não perdoar e encarreiraram cinco golos para obterem a 12ª vitória nos playoffs, o número mágico para atingirem a sua primeira final da Stanley Cup.

Treinadores:

Chegar à final da Stanley Cup no ano subsequente a falhar os playoffs é um fenómeno raro mas que acontece pela segunda vez na última década, com os Sharks a juntarem-se aos New Jersey Devils de 2011-2012. Atrás do banco de ambos os conjuntos surge o mesmo homem, Peter DeBoer, que consegue novamente atingir tremendo sucesso na estreia em novas paragens.

Um advogado de formação que deve fazer 48 anos em plena disputa da final (13 de Junho), DeBoer chegou à NHL em 2008 após 13 temporadas ao comando de várias formações da principal liga júnior canadiana. Os Florida Panthers foram o destino e, numa antevisão do que se seguiria, o nativo do estado do Ontário não demorou a mostrar trabalho, levando os “Cats” ao segundo maior total de pontos da sua história, que mesmo assim não foi suficiente para atingir os playoffs. Em 2011, após dois anos de regressão, DeBoer foi demitido, tendo rapidamente sido apontado como treinador dos Devils. Após um trajecto surpreendente, a equipa foi apenas travada pelos LA Kings na final da Stanley Cup, e a posterior saída do capitão Zach Parise marcou o começo de um declínio que o treinador não foi capaz de superar.

Peter DeBoer recuperou os San Jose Sharks após uma temporada de 2014-15 desapontante (Ezra Shaw/Getty Images North America)

Duas temporadas consecutivas fora dos playoffs fizeram o chicote estalar em Dezembro de 2014, abrindo as portas para a nomeação como treinador dos San Jose Sharks no começo desta temporada. Ultrapassado um começo titubeante, em que demorou a ganhar a confiança dos líderes do balneário, o grupo orientado por DeBoer subiu de forma a partir de Janeiro e tornou-se uma máquina de marcar golos assim que os playoffs tiveram início, podendo originar a sonhada conquista da Stanley Cup.

Apesar de ter igualmente nascido em 1968, a história de Mike Sullivan é bastante diferente. Desde logo porque conseguiu fazer carreira na NHL durante 10 temporadas, tendo inclusivamente representado os EUA a nível internacional. Pendurados os patins em 2002, foi nomeado técnico dos Providence Bruins, da AHL, sendo que o salto para a NHL ocorreu logo na época seguinte, com a promoção a líder dos Boston Bruins. Treinando uma conjunto onde pontificada Joe Thornton, Sullivan alcançou o titulo da Divisão mas a equipa foi eliminada de entrada nos playoffs. Após o lockout que anulou a temporada de 2004-2005, os Bruins falharam redondamente e Sullivan foi despedido, sendo que nova oportunidade demoraria a chegar. Entre 2007 e 2014 foi treinador adjunto dos Tampa Bay Lightning, NY Rangers e Vancouver Canucks, seguindo John Tortorella em todas estas passagens e acumulando um capital de experiência respeitável.

Mike Sullivan assumiu o comando dos Pittsburgh Penguins em Dezembro (Pittsburgh Penguins / Greg Shamus)

Nomeado treinador dos Wilkes-Barre/Scranton Penguins durante o Verão passado, um excelente começo de temporada, com 18 vitórias em 23 encontros, impressionou tanto Jim Rutherford, GM da formação de Pittsburgh, que foi a ele que recorreu para suceder a Mike Johnston, afastado devido à incapacidade para tirar partido do talento ofensivo à sua disposição.

Quase uma década depois de ter sido pela última vez o líder no banco, Sullivan recebeu nas mãos um Ferrari errante e em acelerado estado de descrença, e colocou-o de volta ao trilho correcto, libertando as estrelas das amarras defensivas, reformulando o sistema de jogo e beneficiando da hábil permuta de peças que Rutherford foi efectivando ao longo do ano.

Avançados:


Rodar quatro linhas ofensivas capazes de manter os adversários presos na sua própria zona é crucial para ter sucesso na longa maratona dos playoffs, e são normalmente as formações que o conseguem a chegar longe. Sharks e Penguins podem-se gabar de poderem apresentar 12 atacantes competentes, sendo as duas equipas com melhor média de golos marcados nos playoffs, mas um vislumbre aos números mostra uma diferença essencial na distribuição dos tentos obtidos. Se os Penguins apresentam três linhas que alternaram momentos de supremacia ofensiva, a formação californiana baseia muito do seu sucesso em dois grupos absolutamente letais.

(Continuar a ler aqui)

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